Fiat Idea 1.4 ELX 2008 (by Localiza) – Parte 2

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Olá amigos, segue a continuação do post sobre o test-drive da Idea 1.4 ELX.

Papa-burger.

Como a Idea é um carro familiar, resolvi levar minha namorada, sua amiga e os filhos de 6 e 7 anos para comer no Burger King à noite, um passeio completamente familiar. Logo de cara gostei de um detalhe simples: a trava para crianças na porta traseira é fácil de achar. Em compensação, a maçaneta engraçadinha da Idea (no mesmo formato do botão de vidro elétrico, porém enorme e prateada) desperta a curiosidade das crianças que vão logo puxando. Já maçanetas normais, as crianças não puxam pois sabem que se puxarem vão sair rolando pela porta. Deve ser por isso que a Fiat instalou o mini-retrovisor que, por sinal, cumpre bem sua função de Big Brother do banco traseiro.

Outra coisa que não combina com crianças é o estofado escuro, que apesar de ter um bom visual, fica logo cinzento no contato com os pés dos pequenos. As bolsinhas atrás do banco traseiro são boas, porém acumulam farelo em geral e é QUASE IMPOSSÍVEL tirá-los lá de dentro, pois a elasticidade da borda e a profundidade da bolsinha não permite que os aspiradores cumpram sua função. Não tentamos colocar cadeirinha de bebê pois a amiga da minha namorada teve a função de acalmar o ímpeto das crianças. Aliás, o cinto traseiro (de 3 pontos) é um pouco alto para os pequenos, a Fiat poderia pensar em alguma solução que reduzisse a altura do mesmo.

O Idea acomodou bem a amiga da minha namorada no banco traseiro, sentando ela atrás do meu banco ou atrás do banco do carona. Conclui-se com isso que o espaço é realmente excelente para um carro de menos de 3,93m de comprimento. Por sinal, foi o primeiro carro que eu pude dirigir sem chegar nem perto do último estágio da regulagem em distância do banco. E todos elogiaram o conforto e o silêncio à bordo, tanto que os pequenos dormiram.

Ao chegar no Burger King da Av Santo Amaro, pudemos testar mais o conforto dos bancos enquanto aguardávamos a fila do drive thru. Alinhar o Idea no caminho estreito do drive thru é tranquilo para a frente, graças ao capô curto e boa visibilidade proporcionada pela altura em que se dirige. Porém redobre a atenção para não subir com a roda traseira no canteiro, pois calcular a distância pelo pequeno retrovisor é inútil.

Durante o lanche, vimos que os porta-copos presentes dentro da Idea são até aceitáveis com o carro parado, desde que você não peça o refrigerante em um copo de 750ml como eu. Porém, com o carro em movimento, nem copos de 350ml ficam parados dentro dos porta-cops rasinhos (vindos do Palio) que habitam o painel à frente do câmbio. Ah, o câmbio à frente também vai querer beber refrigerante. Isso faz do Idea um bom carro para pique-nique, dentro dele. Por falar nisso, pude reparar no teto a grande quantidade de porta-trecos, guardar carteira, óculos e celular não é problema nenhum. Porém, trocaria o SkyDome por todos esses porta-trecos. Não gostei da dificuldade para posicionar meu celular para recarregar, a tomada de 12V fica ali perto do freio de mão e o porta-trecos ali presente não comporta bem um N95 com o carro em movimento, sem contar que se o celular tocar você será atrapalhado pela alavanca de freio de mão.

Como o carro que eu dirigi não tinha Air-bag duplo, há um excelente segundo porta-luvas, que se fosse refrigerado ou fosse dotado de uma tomada de 12V seria ainda melhor. O único porém é a tampa que, para ser aberta por uma mulher que acabou de fazer as unhas é uma tristeza.

Na volta pude verificar a eficiência dos faróis em uma rua pouco iluminada. Possuem boa altura e não ofuscam os outros motoristas como os faróis do Palio. Acionar setas, limpador, etc é bem fácil, além do comando dos faróis. A vareta dos limpadores é bem explicativa quanto a limpadores dianteiros/traseiros, temporizador, esguicho, etc. Só lamento o fato da Fiat não ter adotado limpadores posicionados opostos entre si como a Meriva. São bem mais eficientes para vidros grandes, se bem que o limpador esquerdo da Idea é enorme e facilita a vida do motorista. Quanto ao limpador traseiro, este é bem eficiente para o tamanho do vidro.

No canto esquerdo do painel há os botões do item mais legal do carro. Os botões do computador de bordo, que a Fiat oferece na maioria dos seus carros. Como ainda produzem carros sem computador de bordo? Não dá pra viver sem consultar a autonomia do carro ou então o alerta de velocidade, item que minha namorada considerou o mais importante para frear meu ímpeto do pé direito. Não que fosse muito necessário pois a Idea, apesar de chegar com certa tranquilidade aos 100 km/h, não desenvolve bem além disso. Ainda assim, o alerta de velocidade era perfeito para manter os 90, 70 ou até 60 em algumas vias de SP, cidade com uma absurda quantidade de radares, assim como o meu querido RJ.

Pé na estrada.

Antes da nossa esticada até Santos, passamos no mercado para fazer as compras e ainda compramos um micro system, que com sua caixa enorme não caberia no porta-malas de bons 380 litros graças às compras. Ponto para o banco bi-partido em 1/3 e 2/3 que deita completamente uma parte pequena do banco, rebatendo-a para frente e aumentando o porta-malas sem sacrificar o transporte de ocupantes. Bem legal, mas o Palio EL 1.5 1997 do meu pai também tinha essa funcionalidade e eu, moleque, adorava a possibilidade de ficar indo do banco para o porta-malas e vice-versa durante as viagens.

Realizamos então o carregamento do carro para uma viagem de fim-de-semana para Santos com as pessoas listadas na ida ao Burger King. Como cada um carregava apenas pouca bagagem, não deu para testar o comportamento dinâmico do carro com muito peso. Por falar em comportamento dinâmico, durante a viagem eu detestei o fato da Fiat ter adotado pneus Pirelli P4 175/70 R14 para o carro. Acho que um carro dessa altura com esse peso merecia de série os pneus 195/60 R15 que vinham como opcional junto com as rodas de liga leve. A estabilidade do carro na serra era sofrível, graças ao centro de gravidade elevado, ao peso e à suspensão macia. E eu mantinha sempre em mente que era um carro familiar, porém mesmo em velocidades baixas o Idea não transmitia segurança nas curvas, seja pelo seu comportamento, seja pela posição de dirigir, cabendo ao motorista extremo bom-senso sempre que for encarar trechos de serra.

E eu também tive mais uma recordação do motivo pelo qual eu odeio minivans. Em um trecho de descida, mantendo os 120km/h de limite, o vento lateral dava a impressão de que a qualquer momento seríamos jogados para o lado, e nem ventava tanto assim. Quando o vento diminuiu, pensei em dar uma esticada até os 160km/h que a Fiat dá como velocidade máxima e confesso que me arrependi amargamente, segurando nos 140km/h para a segurança dos meus passageiros devido ao balanço lateral do carro e então reduzindo para meus 120km/h inciais. Ao ver o trânsito parar lá na frente, pude ver em que parte da mecânica a Fiat investiu parte dos R$ 50 mil cobrados, pois apesar de não contar com ABS (opcionais), os freios são bem dimensionados para o modelo e sua proposta, e seguraram o carro com dedicação e segurança, sem travar as rodas nem dar sustos. O pedal também é bem modulado, ao contrário de alguns Palio aonde o pedal de freio é do tipo “on-off”.

Quem vai de SP para Santos pela Anchieta-Imigrantes sabe que na ida você desce e na volta você sobe, e sobe muito. Esse foi o martírio de se estar ao volante da Idea 1.4. Nas longas subidas, era preciso desligar o ar-condicionado e reduzir para quarta marcha se eu quisesse me manter nos 120 km/h de limite. Diante das reclamações por calor, liguei o ar-condicionado novamente e me contentei a andar a 100km/h, sem atrapalhar os outros carros, inclusive 1.0 que me passavam freneticamente. Tive a péssima idéia de engatar a 5ª a 110km/h por aí, 3800 RPM, ou seja, faixa de torque máximo e vi o carro perder velocidade absurdamente, mesmo com o pé no fundo. Vendo o velocímetro a 90km/h, reduzi para 4ª e afundei o pé, no que o carro SE RECUSOU  a responder e continuou perdendo velocidade até 80km/h. Reduzi então para 3ª e afundei para voltar pelo menos aos 100km/h e então mantive em 4ª marcha e pisando praticamente no fundo. Nisso o computador de bordo se pudesse me xingava. O consumo de gasolina que ficou em 14km/l na ida estava mostrando um consumo instantâneo obsceno de 4.8 km/l. Pavoroso.

Pelo menos nenhum dos meus passageiros acordou por causa do ruído do motor Fire que, apesar de BEM áspero, não se pronuncia muito dentro da cabine.

Conclusão.

O Idea é um carro confortável, com bastante espaço e excelente silêncio à bordo, para alguns isso vale muito. Os bancos são confortáveis e o carro proporciona uma experiência de dirigir típica de minivan, seja pelas respostas lentas, seja pela posição em relação ao trânsito. E ao mesmo tempo é um carro compacto, que cabe em qualquer garagem e é relativamente fácil de estacionar.

Ágil na cidade, o Idea 1.4 ELX é um carro puramente urbano, que reclama se for levado para a estrada, apesar de contar com uma excelente capacidade de carga. O carro dispõe ainda de qualidades e mimos que podem cativar o motorista, principalmente nas versões mais completas.

Porém, o motor Fire 1.4 é péssimo para o carro e consome muito combustível, principalmente pelo fato do motorista precisar pisar muito para andar. E o carro é muito caro por oferecer peças compartilhadas com o Palio (inclusive o motor). Por esse preço, o Idea merecia mais criatividade no interior ou mais itens de série.

Eu não compraria o Idea ELX 1.4 por ser fraco demais e pouco equipado, apesar de ser um carro confortável. O Idea HLX 1.8 tem mais equipamentos e mais motor, mas é ainda mais caro. O Idea Adventure oferece uma proposta diferente, e se torna interessante como um crossover, mas ainda assim, a Fiat peca no alto preço do modelo.

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