Toyota Corolla XEi Automático 2006 (teste rápido)

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Olá amigos, esse é o primeiro post da categoria “quick test“, que são carros os quais o meu convívio com os mesmos foi breve. Hoje vou falar sobre o Corolla XEi 2006 automático, a versão intermediária do Corolla antigo. Apesar de ser intermediário, o preço em torno de R$ 65.000 não é convidativo, afinal, o carro não possui nada aparente que justifica esse valor. Então por que foi líder de vendas entre os sedãs médios durante tanto tempo? Talvez o status do nome Corolla, ou o fato de ser um carro “importado” da Toyota (para 90% da população, nacional é VW, Ford, Fiat e Chevrolet).

O test-drive bem curto compreenderia a saída do estacionamento do shopping (era um feirão), uma volta ao redor do shopping com direito a uma reta longa (com um bom carro dá pra se atingir uns 160 km/h sem ninguém na frente), uma curva ao fim dessa reta longa, outra reta um pouco mais curta, uma curva mais fechada, um sinal de trânsito em subida, alguns paralelepípedos, buracos e a entrada do shopping novamente. É um bom teste para conhecer o comportamento do carro caso seu desejo seja comprá-lo.

Interior

Interior

Ao entrar no Corolla, o visual do couro cinza é aconchegante e o banco é bem confortável, somado ao apoio de braço que fica na altura certa. A boa impressão para por aí. O painel é pobre, bem acabado mas pobre, não passa tanto status assim, apenas simplicidade. O quadro de instrumentos não traz sequer computador de bordo, coisa que um Siena de mesmo ano trazia. Achar uma boa posição para dirigir é fácil, só não gostei da regulagem lombar que fica espremida entre o banco e o apoio de braço. E dentro deste há um excelente porta-trecos. Os espelhos retrovisores são bons, permitem boa visibilidade exterior mas faz falta um sensor de estacionamento, visto que o carro é bem grande. A regulagem elétrica dos espelhos é fácil de ser operada e fica em uma posição boa, fácil de acessar. Travar e destravar as portas por aquele botão perto da maçaneta me lembra o antigaço Monza, não há coisa mais feia, melhor empurrar a maçaneta pra dentro. À frente dos botões que comandam os vidros, há o botão para travar os vidros traseiros e…o vidro do carona! Significa que mulher japonesa tem que pedir permissão ao marido para abrir o vidro ou então japoneses costumam carregar crianças no banco da frente, vai saber.

Consegui me sentir confortável no carro graças ao ajuste de altura da direção e do banco, é um carro que sabe agradar a gregos e troianos. Ao medir o espaço atrás do meu banco, mais de um palmo meu separavam o assento do meu encosto, é um espaço razoável. Pena não haver saída de ar-condicionado para trás, pois é um carro bem confortável para ser dirigido por um motorista.

O câmbio automático é bem simples, até demais. Não há trocas sequenciais nem botão de trocas esportivas, em compensação há um D3, que permite que as marchas sejam trocadas apenas até a terceira, já que a quarta é bem longa. Vejo isso como uma opção mais esportiva, mas não me agrada andar em um carro de 4 marchas, que dirá 3, salve o Tiptronic da VW. O modelo que dirigi estava equipado com som de fábrica de dois andares, bem bonito, mas não toca nem MP3 e isso é desanimador, ponto para o som dos auto-falantes que é agradável, mas já vi melhores.

Test-drive

Hora de sair com o carro, boto a marcha em D e saio com o carro da vaga. A direção hidráulica é deliciosamente macia, bem confortável para andar na cidade, como é a proposta do carro. O pedal do acelerador e o freio também são bem macios, transformando o carro em um excelente companheiro para longos engarrafamentos, bom para quem mora a vários km de trânsito pesado do trabalho. Isso somado ao silêncio no interior (quase não ouvi algumas buzinas), o agradável sistema de som e o conforto dos bancos fez eu me sentir bem dentro do carro, até acelerar. Percebi que o câmbio do Corolla estava meio indeciso dentro do estacionamento, a 30km/h ele não sabia se mantinha a segunda ou passava a terceira, tudo isso com um leve tranco, mas é até contornável visto o fato de você lembrar que outros lá fora estão pisando na embreagem umas 100 vezes por minuto em seus carros manuais.

Tudo ía bem até a hora de sair do estacionamento. Saí do guichê com velocidade baixa, o carro já jogara terceira marcha, então resolvi fazer um “kick-down” para testar o modelo no retão exterior. Pé embaixo e poft, tranco para jogar segunda, giro no alto, poft, outro tranco pra jogar primeira marcha e então o carro saiu acelerando, trocando novamente para segunda, então terceira e, nas 4000 RPM quando o carro parecia mostrar a força do VVTi, o câmbio jogou a quarta marcha, reduzindo o giro até o chão e fazendo o carro ficar anestesiado. Contornei a curva a 70km/h com os pneus Bridgestone reclamando, dei uma leve acelerada ao sair da curva e então aproximando-me do sinal subi em cima do freio para testar o ABS e os freios a disco nas quatro rodas, que seguraram o ímpeto do sedã com destreza e em pouco espaço, sem assustar o motorista do carro da frente.

Sinal aberto, joguei o câmbio em D3 e acelerei fundo na reta oposta, dessa vez o Corolla saiu cantando pneu e deixando pra trás um Vectra abusado que quis crescer pro meu lado, com o câmbio em D3 o carro parece ter ficado mais esperto e então finalmente descobri o intuito das letrinhas VVTi de Variable Valve Timing injection, similar ao VTEC da Honda. Nova freada no sinal, dessa vez mais progressiva e novamente o freio foi eficiente e seguro, bem agradável até.

Na curva fechada, fiz questão de acelerar no meio dela e a suspensão macia do Toyota só faltou perguntar se eu tinha algum problema cerebral. Ficou na cara que o carro não foi feito para isso. Durante a rua de paralelepípedo foi possível entender aonde foram os R$ 65.000 pagos nesse carro, conforto. A construção do carro é bem sólida e a suspensão macia filtra as imperfeições além do isolamento acústico da cabine que é excelente. Parece que estamos alheios ao mundo exterior. E durante o trajeto foi possível responder à minha pergunta de por que as pessoas compram tantos Corollas. A resposta é mesmo por status. Você é olhado de outro jeito pelas pessoas na rua, apesar do carro já ser figurinha fácil no trânsito, mas ainda assim, você dentro de um Corolla fica mais atraente, principalmente para meninas que entregam folhetos no sinal ou no guichê do estacionamento, fiz questão de passar pelo mesmo guichê que passara com meu Golzinho minutos antes e dessa vez a mesma menina retribuiu meu sorriso com outro bem maior e também uma piscada de olho. Imagine o que não faz uma Ferrari.

Estacionando na vaga pude ver como a visibilidade é boa mas realmente senti falta de um sensor de estacionamento na traseira. É preciso prática para saber aonde termina a traseira do carro, assim como em um sedã da metade do preço. E também a sensação de acionar o alarme (em um chaveirinho alheio à chave) e não ver os vidros subindo.

Conclusão

O carro é bom, com um conforto excelente proporcionado pelo banco e pela maciez dos comandos além da suspensão. A falta do ar-condicionado digital e do computador de bordo entre outros itens não é tolerável pelo preço que se paga em um carro como esse. É um carro bom para ir trabalhar no dia-a-dia e talvez para viajar.

Se só existissem Corollas XEi no mundo, eu teria dois, um automático para o dia-a-dia e um manual para viajar no fim-de-semana. Mas isso seria desnecessário se o carro tivesse um câmbio mais esperto, com trocas sequenciais. Felizmente existem outros carros com suspensão mais rígida, mais espertos e que mimam mais o motorista pelo mesmo preço então, esse Corolla eu não compraria, talvez o novo, quem sabe?

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