Prisma Joy 1.4 2008 (by Localiza) – Parte 2

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Vamos à segunda parte do test-drive do Prisma Joy 1.4 alugado na Localiza.

Meu primeiro grande carro.

Lembro da minha professora de Português que dizia assim:

“Marcelo, você é um homem grande, mas não significa que você é ou será um grande homem.”

Sábia profa Bernardete. Pena que os publicitários da GM não tiveram aula com ela. O Prisma é um carro grande (4.12m) para quem acabou de sair de um Palio, Gol ou mesmo um Celta. Mas daí a chamá-lo de grande carro é uma afronta ao bom senso. Por fora ele até bonitinho e angaria com sucesso algumas almas incautas para o seu lado, pois brasileiro compra qualquer carro e prova disso é que Gol G4, Palio Fire, Mille, Celta, Classic e outros carros continuam vivos no mercado e entre os mais vendidos.

Esse discurso é apenas para falar do porta-malas, que é um latifúndio comparado a hatches mas um conjugado comparado ao do Siena Fire. De qualquer forma, tem um espaço até interessante, mas não espere banco bipartido na traseira, apesar dele ser rebatível. Pelo menos. O problema é que há um reforço estrutural atrás do banco traseiro que vai te impedir de carregar coisas mais extensas no seu carro, que você carregava fácil no seu hatch 1.0 de antes.

Ainda sobre o porta-malas, foi irritante puxar a alavanca de abertura interna e a tampa subir sozinha, sendo que estava chovendo. Conclusão, os instantes que se passaram até eu perceber a peça que o carro me pregou foi suficiente para molhar minhas compras. Aliás, a água que estava sobre a tampa ainda correu por ela e caiu em cheio dentro da minha bolsa de pão. Obrigado engenheiros e designers da GM. Por falar em chuva, essa história de que os vidros traseiros de sedã não precisam de limpador só funciona na estrada, na cidade, com engarrafamento, o vidro traseiro se tornou inútil. Ainda bem que os retrovisores são enormes.

Antes que digam que sou implicante com o Prisma, devo elogiar a suspensão. Apesar de terrível para prover estabilidade, é até confortável na cidade, filtrando bem os buracos além de ter uma boa altura do solo. Mas os elogios param por aí. O isolamento acústico do carro é paupérrimo e por menor que seja o barulho exterior, ele será sentido dentro do carro. O Prisma não transmite solidez, sensação reforçada pelas portas leves que fecham (batem) fazendo muito barulho e evidenciada pelo baixo peso do carro além da pobreza dos materiais no interior. Milagrosamente há um pedaço de tecido na porta, e só.

Mas o pior ainda estava por vir.

Pé na estrada.

Viajar com o Prisma foi um tormento. Esqueci de falar que os vidros elétricos dianteiros possuem função “one touch” para motorista, e esse detalhe nesse carro é irritante, pois só serve para descer. Ao contrário dos outros carros, aonde o vidro também sobe com um toque, no Prisma não espere por isso. Ok, pode ser meio displicente, mas diante da chuva que caía em SP, não precisei abrir o vidro pra nada, apenas para pagar o pedágio e na hora de fechar. Bem…não fechou. O resultado foi um delicioso banho gelado de inverno dentro do Prisma. Se o vidro desce com um toque, por que não sobe? Já que houve investimento para o sistema fazer o vidro descer, por que não fazer a mesma coisa para subir? Culpa da gravidade?

Na estrada, como eu já havia dito antes, o carro é muito instável acima de 120km/h, flutuando como um barco, além da direção se tornar mais leve sem explicação lógica para isso. A chuva não me deixou ir além dessa velocidade mas eu nem sequer tentaria, pois apesar de não ser modelo de sanidade, também não sou fã do Ventania. Queria ser macho para alcançar os 184km/h de velocidade máxima que a GM “chutou” no manual. Talvez com pneus mais largos e de perfil mais baixo, em uma descida e sem um pingo de juízo…quem sabe?

Fora esses detalhes irritantes, o carro possui um bom rendimento em velocidade de cruzeiro. Desde que você não se importe também com os ruídos aerodinâmicos, vai viajar tranquilo no Prisma. Mantendo 110km/h, não precisei reduzir marcha na subida mesmo com o ar ligado, e na hora de ultrapassar carros mais lentos, basta afundar o pé que o Prisma vai embora, sempre sem empolgar, claro.

Eu estava até deixando de odiar o carro quando parou a chuva e o barulho no interior diminuiu um pouco e também me reservei o direito de correr um pouco mais. Percebi que a 160km/h (na descida) a flutuação da traseira atinge um nível completamente inaceitável para qualquer carro, dando a impressão de que em qualquer curva seria ela que seguiria de encontro ao muro ao invés da dianteira. Reduzi a velocidade para os 120km/h que o carro gosta de manter.

Alguns km à frente, descobri porque eu nunca iria gostar do Prisma. Após ser fechado por uma Uno caquética saindo do acostamento como quis a 40 km/h, pisei no freio com vontade e logo soltei o freio pra desviar do energúmeno motorista, ao virar o volante para o lado, senti que perderia a traseira então logo estercei o volante para o outro lado visando controlar além de um sucessivo balé do pé direito que visitava o freio e o acelerador. Claro que adicionei um toque poético ao relato, mas nunca vi um carro adernar tão perigosamente ao frear além de ter freios tão fracos.  Pensei que era o fim da viagem.

Na volta à noite, já sabendo da deficiência do carro, vim mais tranquilo e até gostei dos faróis, que apesar de serem de parábola simples iluminam bem a estrada sem ofuscar os outros motoristas como fazem Palios da vida. Mas como no Prisma quase nada são flores, o indicador de combustível teve um acesso de loucura e baixou de 1/4 para a reserva em alguns poucos km. Parei no posto para abastecer e haviam míseros 3 litros no tanque. Nunca vi isso. Ah, notei que o carro possui um alarme de faróis acesos. Até que é legal, mas esse dinheiro podia ter sido investido em um marcador de gasolina mais preciso ou um indicador de autonomia.

Conclusão.

O Prisma é um carro para quem dirige por dirigir e precisa de espaço sem gastar pouco. Quem gosta de dirigir deve passar longe do Prisma. O motor um pouco maior por um preço relativamente baixo é interessante, mas na faixa de R$ 35 mil há carros mais fortes apesar de não terem o mesmo porta-malas.

Apesar de ser um sedã, o espaço interno não convence, apesar do porta-malas ser bom. O interior do carro é bem pobre além de não haver um mínimo de segurança que a GM peca em negligenciar. No fundo é um Celta, só que menos estável, mais beberrão e mais pesado.

O consumo do carro foi bem alto para o uso, fazendo uma média de 6.3km/l de álcool sendo que na maior parte do tempo o carro foi utilizado em estrada. É inaceitável para um carro de pouco mais de 900kg.

Para eu comprar um Prisma, ele teria que ser mais econômico, ter mais torque em baixa, mais solidez estrutural, bancos mais confortáveis, regulagens de altura para banco e volante, pneus 195/50 R15 no mínimo, freios mais confiáveis com discos maiores na dianteira e uma direção mais precisa. Ou seja, precisaria ser outro carro, talvez um Voyage.

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