Back to the B.A.S.I.C.s? Back to teh CELTAS

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Olá amiguinhos! Novamente posto no blog alheio uma experiência automotiva. Desta vez, não posso me conter e sucumbo aos enlaces sentimentais aos quais as memórias dos primórdios me remetem. Todos nós nascemos sem saber dirigir [e alguns morrem sem saber (95% destes sendo do sexo feminino)]. Mas um belo dia atingimos a idade crucial e começamos o treinamento para tornarmo-nos motoristas e quem sabe, pilotos.

Meu pai sempre foi retardado e me colocou ao volante desde os 4 anos de idade. Não o culpo, eu gostava bastante. Mas não posso dizer que eu faria o mesmo com o filho que eu nem tenho. Em todo caso, estes episódios de Falkid ao volante eram bem separados uns dos outros, fora do trânsito “de produção” das vias públicas e com toda a supervisão e capacetes, sendo portanto pouco provável que eu realmente desenvolvesse reflexos e senso de direção num ambiente “real”.

É aí que entra o C.F.C. da tia Regina, onde me formei um <sarcasm> orgulhoso (?) condutor brazileiro. </sarcasm>

Comecei meu treinamento tardiamente (aos 21 anos) e meu trainer-car foi um veículo pelo qual até hoje guardo carinho todo especial: o Chevrolet Celta, que falarei um pouco a respeito.

O carro é um hatchback, compacto, tipicamente 1.0 ou 1.4. Desconheço tecnicalidades e variantes mas lembro bem da idéia inicial dele. A GM tinha um website em flash super maneiro que você podia ver como ficaria seu celta dos sonhos, com todos os spoilers, wide body kits, frisos e outros periféricos, bem como as cores. E tudo isso pela módica quantia de ~15K BRL ou algo assim – algo da época que um carro popular era popular.

Dirigi duas versões – uma que pilotei no ano da auto-escola, e outra que pilotei esta noite, mais recente.

Noções Espaciais

Já ouvi falar que por causa das restrições de espaço e tamanho físico geral, não se pode instalar todos os upgrades juntos como por exemplo – OU você tem direção hidráulica, OU você tem ar-condicionado. Mas não sei até que ponto isso é real. Isso seria uma coisa deveras filha da puta, mas ao mesmo tempo é uma qualidade sensacional deste auto – o tamanho reduzido.

Num Celta, basta mover um pouco a cabeça e os olhos e terás uma idéia perfeita de vossa posição espacial. Num Palio, além do “carro” você tem que calcular a posição das 3 banheiras que você carrega junto do corpo quando dirige. Os espelhos do Celta são bem posicionados e bem dimensionados, sem precisar aplicar ângulo convexo pra enxergar ao redor. Por conta disto, dominei as temidas balizas em apenas 1 sessão de treino.

Aliado a isso, a mobilidade do carro é soberba, devido ao seu pouco peso e bom motor. Tire finos. Confie nos freios. Ataque os corners. O carro vai cumprir.

Espaço Interno

Talvez por eu ter uma fisique de piloto (1,71m) o carro tem perfeito encaixe pra mim. Mas o dono do blog ia se emputecer em poucos minutos a bordo. É certo que os assentos tem uma regulagem muito boa e deslizam suavemente pelo trilho bastando um pequeno toque. Mas não lembro de ter visto nenhum controle de altura, regulagem de volante, ou outros. É um carro popular, for fuck’s sakes.

Nada a reclamar do conforto. Talvez com tripulação máxima (5 pessoas) o gentleman do banco de trás se fôda um pouco. Mas 5 pessoas dentro do carro pra mim já é sacanagem.

Features

O Celta ~2005 da auto-escola (não sei o ano ao certo) tinha um painel digital bem legal que mostrava, além das horas, a kilometragem, combustível remanescente e alguns alarmes tipo óleo, bateria e freio-de-mão. O velocímetro era convencional, de ponteiro. A buzina era sensacional, ficava num trigger localizado na alavanca da direita onde tipicamente você encontra o limpador de pára-brisa. Ah, GM. Nem penso quantos otários socaram o volante tentando buzinar no teu Celta. Back in the days, trolling meant something. Talvez no lugar do logotipo no centro do volante deveriam ter colocado uma câmera pra fotografar a tua cara de zé.

Os controle de luzes, fans e o restante da cabine eram bem legais, no geral. Já no Celta 2008 que dirigi muito recentemente (esta noite, quando fui dar uma zoada em Copa com os parceros do trabalho que também estavam em noturno) o painel era inteiramente ponteiro-based, no telinhas. Eu gosto de ponteiros, então ok por mim. O acabamento também era bonito. Nenhuma cagada quanto ao resto do interior nesta nova versão também.

Os trincos são roques. Sério. Uma puxadinha e click, a porta abre. Não tem nenhum tipo de sensação como trinco de geladeira Frigidaire, daquelas de porta azul que te davam choque todas as manhãs. Ah the glory days.

Atributos e Efeitos de Campo

Talvez por eu ter sido agraciado com uma família de operadores de FIATs eu bem que tentei fazer aulas num FIAT, já que a conveniência do envelope do carro IGUAL seria melhor pra me adaptar em casa. Mas pra minha sorte só tinha FIAT livre 3 meses depois. Graças a Deus. Só assim pude ver a merda que a FIAT representa.

O Celta tem uma dirigibilidade absurda, mesmo sem direção hidráulica, que era o caso dos dois que dirigi. A ótima sensação espacial vai excelentemente bem com as boas razões de aceleração e frenagem, mesmo com poucos cavalos.

O range da embreagem é bem único – bem responsiva e por muito tempo acreditei que o carro da auto-escola fosse acelerado pra evitar que o noob deixasse o carro morrer em plena linha vermelha. Na verdade, todos os carros de produção assim são. É praticamente desnecessário acelerar junto da embreagem pra tirar o carro do lugar. A faixa de sensibilidade, apesar disso, não chega a atrapalhar nas trocas suaves. Talvez o carro tenha torque suficiente pra sair sem precisar ser acelerado?

Next, a transmissão. Eu como bom retardado que nasci e amante dum bom Daytona USA jogava as marchas igual um filho da puta dando boas capinadas à gearbox do carro. Isso até tomar um esporro do meu instrutor, o Tatá. “Tu tá dando muito tranco – a marcha você passa na ponta do dedo”.

Maior verdade – um simples nudge no câmbio é suficiente pra encaixar a marcha correta. Os “trilhos” ou sei lá como se chamam são bem definidos e não é difícil saltar de uma marcha pra outra sem olhar. A única coisa que eu mudaria é a proximidade entre uma casa e outra – já encaixei 4ª pensando que era 2ª durante um treino (mas o carro continuou amarradão).

Isso é outra coisa boa do Celta: ele perdoa MUITO. Btw, algumas pessoas podem se enrolar com a ré que é na frente, mas o câmbio possui um anel dedicado para esta. O da auto-escola já devia ter tomado seus trancos porque o encaixe pra ré era meio escroto, mas o do meu amigo encaixava facilmente.

Os freios são mais do que suficientes, mesmo se você for um obeso que não faz reduções. O freio de mão também é do tipo click-to-click, bem deliciosamente puxável.

Em todos os treinos, o carro se mostrou eficiente em sua autonomia e bravo em termos de tolerância térmica. Apesar de ser preto e ter sido dirigido em pleno verão carioca. Um (outro) amigo meu tem um Celta 1.0 com gás e irmãos, esse faz Rio-Miami 3 vezes antes de baixar um palito no tanque.

Considerações Finais

Só sucesso. O carro é muito divertido. Divertido é a palavra. É que nem dirigir um carro de controle remoto, só que dentro dele e com volante e pedais. Essa noite quando peguei o do meu amigo saí igual um retardado em Mach 3, trocando de marcha (*trum* passou *trum* passou *trum* puta, eu faria isso o dia inteiro…) a cada 250 metros só pra aproveitar melhor o torque, sentir a redução suave, a brisa no rosto e lembrando como é SENTIR a posição do carro no tempo-espaço. Muito pro desespero dos tripulantes, que eram 3 além de mim e, sem nada poder fazerem (por causa da blitz da LOL seca), assistiram alguns arcos de curva ligeiramente agressivos no regresso ao trabalho.

Talvez o Celta 2008 tenha recebido um dumb-down no arco de curva porque eu o senti mais preso e com um arco meio longo demais. Talvez isso seja induzido na fábrica pra evitar um capotamento ou destracionamento por conta dos pneus de bicicleta, que cantam com uma certa facilidade. Não que o carro destracione fácil – ele nem passa essa sensação. Mas canta.

Well, talvez seja equivocada a percepção já que a minha lembrança da auto-escola já é bem obscura. Mas não duvido que alguma coisa do carro force ele a ser assim.

Aos amigos do carona e banco de trás – minhas mais sinceras desculpas pelas eventuais emoções fortes. É só que eu adoro carro.

Y además, fôda-se tudo – eu jogo Colin McRae.

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